terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dia dos namorados

Como podem imaginar, ontem foi dia de trabalho para mim.
Porque para além de dia 14 de Fevereiro ser o dia dos namorados, é também o dia dos "encalhados".

Um cliente habitual, "ofereceu-me" uma noite muito especial.
Levou-me a jantar, a beber um copo, e finalmente, para um hotel em Espinho.

Quando chegamos ao restaurante, um conhecido restaurante na zona de Miramar, o ambiente era ultra-romântico. Uma decoração especial, um menu especial. Velas na mesa, corações por todo o lado, média luz.
Diria que estava um ambiente perfeito. Perfeito para um casal normal, como os muitos que enchiam por completo o restaurante. Quando estava a jantar, olhei à volta, e percebi a felicidade que irradiava das mesas contiguas à minha. A minha mesa era uma fachada, um contrato, nada mais do que isso.
Senti-me triste, os meus olhos encheram-se de lágrimas. O meu cliente, talvez por simpatia, percebeu, e soltou também uma lágrima. Fui ao WC, recompor-me, tinha que ser profissional, e entregar-me a 100%, tinha que oferecer uma grande noite ao meu cliente.
Quando voltei à mesa, ele ofereceu-me um presente, um perfume. Sorri, agradeci, e ficou tudo bem. Engoli a minha tristeza. The show must go on, como alguém dizia.
A partir desse momento, o jantar evoluiu e senti-me bem. Comi um Risotto de Gambas, que estava uma delícia, acompanhado de uma sangria de champagne.
Não costumo beber, mas ontem abri uma excepção, e bebi 2 copos de sangria. Senti que precisava muito.
Para sobremesa, comi uma mousse de chocolate branco com molho de vodka, que estava divinal!

Depois do jantar, fomos até um bar, aí bebi uma cola. Ouvimos e dançamos ao som de música dos anos 80, clássicos românticos, o normal para um dia de S.Valentim.

A dada altura, o cliente puxou-me, deu-me um beijo, e segredou-me, "vamos até ao hotel". Com toda a calma do mundo, fomos caminhando até ao Hotel, subimos, e chegamos ao quarto. Já conhecia aquele Hotel, e aquele quarto em particular. Por alguma superstição, aquele meu cliente escolhe sempre o mesmo quarto. Contemplei a vista. Não vi grande coisa, estava um temporal violentíssimo.
Dissera ao meu cliente que não dormiria ali, e que por volta das 6, 7 da manhã, queria estar em casa.

Despiu-me, atirou-me para cima da cama, despiu-me com uma vontade incontrolável. Passou a lingua carinhosamente por cada recanto do meu corpo, atiçando-me. Despi-o, abraçou-me, e logo a seguir, possuiu-me violentamente! Fizemos sexo desenfreado 3 vezes. Passamos e repassamos por todas as posições. Ele estava em brasa. E eu também. O sexo foi muito bom, e fez-me bem. Mas foi sexo, e nada mais do que isso.

Foi bom, mas quando cheguei a casa chorei muito. Hoje, estou com os olhos inchados. Esta vida não me está a preencher. Estou a precisar de alguém. Alguém que eu ame, e que me ame, alguém a quem eu possa ligar, com quem possa desabafar, com quem eu possa fazer amor. Só que esse alguém só pode chegar quando eu for verdadeiramente eu. Sem mentiras.

2 comentários:

  1. Que coragem, que coragem é o que tenho a dizer! Não por ter a profissão que tem mas pela forma digna que o faz, e pela coragem em assumir as coisas tal como elas são.

    Sexo é bom, mas há dias em que não chega, há dias em que faz falta o carinho, o amor e a amizade que o amor trás...

    Como eu a percebo...

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  2. Poema

    Podes dar uma centelha de lua,
    um colar de pétalas breves
    ou um farrapo de nuvem;
    podes dar mais uma asa
    a quem tem sede de voar
    ou apenas o tesouro sem preço
    do teu tempo em qualquer lugar;
    podes dar o que és e o que sentes
    sem que te perguntem
    nome, sexo ou endereço;
    podes dar em suma, com emoção,
    tudo aquilo que, em silêncio,
    te segreda o coração;
    podes dar a rima sem rima
    de uma música só tua
    a quem sofre a miséria dos dias
    na noite sem tecto de uma rua;
    podes juntar o diamante da dádiva
    ao húmus de uma crença forte e antiga,
    sob a forma de poema ou de cantiga;
    podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
    do relógio da vida sem atraso,
    e sendo tudo isso serás ainda mais,
    anónimo, pleno e livre,
    nau sempre aparelhada para deixar o cais,
    porque o que conta, vendo bem,
    é dar sempre um pouco mais,
    sem factura, sem fama, sem horário,
    que a máxima recompensa de quem dá
    é o júbilo de um gesto voluntário.

    E, afinal, tudo isso quanto vale ?
    Vale o nada que é tudo
    sempre que damos de nós
    o que, sendo acto amor, ganha voz
    e se torna eterno por ser único e total.

    jjl

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